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Camiseta – Arte: Possíveis diálogos de um olhar antropológico

KÊNIA KEMP

Esse texto faz parte do evento “Escaparate” promovido pelo Pparalelo de Arte Contemporânea, no dia 29/11/2008.
O par jeans-camiseta são emblemas da cultura ocidental urbana contemporânea.
Talvez, nada mais revelador da condição contemporânea possa ser apontado do que essas peças de vestuário que atravessam classes sociais, gerações, tribos.

A camiseta em especial, ganha um status de suporte de comunicação e diálogo. Hoje é comum o uso da camiseta como suporte de imagens e mensagens que podem ser brindes institucionais; demarcadores de tribos como “nemos”, “metaleiros”, “clubbers”, “punks”; uniformes em eventos; eventos que provocam os freqüentadores a “costumizar” o convite de ingresso que é a camiseta. Enfim, passando por todos os tipos de manifestação de identidades contemporâneas, podemos encontrar a camiseta presente de alguma forma.

Vale salientar um breve aspecto histórico das camisetas. Elas são originalmente utilizadas desde a Antiguidade Clássica como roupa íntima. Para os romanos, a camiseta era uma peça fundamental de conforto térmico e de contato com a pele, para facilitar o uso de túnicas ou roupas desconfortáveis, em qualquer classe social.
Em 1516,  Michelangelo termina a estátua O Escravo Moribundo, que retrata um homem vestido apenas com uma peça de roupa, bem diferente das usadas na época: uma camiseta regata.

Mas é apenas na década de 1950 que o par de atores Marlon Brando e James Dean traz a camiseta para fora. A partir das imagens de Brando e Dean que invade as salas de cinema, a rebeldia ganha seus ícones. Apesar de que, antes de Brando, Chet Baker já aparecia em suas performances de jazz vestindo essa peça.

O que gostaria de apontar nesse breve histórico das camisetas é exatamente essa trajetória que nos permite interpretar esse percurso que vai da intimidade oculta para a intimidade exposta. E mais que isso, da subjetividade oculta para a subjetividade exposta.
Os processos de construção do eu e dos “outros”.
Esse aspecto parece ser essencial na cultura contemporânea, ou seja, as linguagens através das quais a subjetividade passa a ser um campo de diálogo importante na construção de identidades.

Vivemos em um universo social que eu chamaria de “esquizofrênico” ao lidar com os espaços e seus limites, sejam eles reais ou virtuais. Isso porque é possível perceber como em nossa cultura houve ao mesmo tempo um abandono e um reforço dos limites que separam classes sociais, gêneros ou  grupos etários, por exemplo.
Houve um abandono dos divisores tradicionais de identidade. Não temos mais a nítida linha que separa o campo da cidade. Em uma cultura eminentemente visual, a aparência pode burlar nosso julgamento sobre qualquer demarcador de identidade.

Mas contraditoriamente e ao mesmo tempo, existe uma necessidade visceral de demarcá-la.
A linha urbana que separa os pobres dos ricos é massacrante.
O mercado é o grande ditador dos limites. O acesso a bens e serviços é sofisticadamente desigual através da instituição do valor-preço como legalizador de direitos e qualidade de vida.
E ironicamente, esse mesmo mercado coloca para circular, de forma irrestrita todo tipo de manifestação de desejo.
O desejo de ser igual, o desejo de ser diferente.

As subjetividades encontram eco em produtos que, apropriados e usados em determinados contextos sociais exteriorizam nossa “conversa” sobre quem somos. E que são os nossos “outros” e os nossos não-eus.
Esse processo de mudança de condição da subjetividade na contemporaneidade pode ser contado através da camiseta.

Da rigidez à fluidez, do imposto ao eternamente negociável, do estático ao dinâmico. Apesar de considerar extremamente mecanicista esse tipo de abordagem, uso os termos de oposição apenas como forma de facilitar uma proposição sobre o que leva as camisetas a encontrarem um território de trânsito.
E o que leva a arte a encontrar as camisetas nessa perspectiva antropológica.

Para esse exercício de refletir sobre nós mesmos, talvez seja interessante trazer a colaboração de outras culturas.
Peço licença para ler um trecho de uma antropóloga chamada ELSJE MARIA LAGROU cujo trabalho de campo é entre os Kaxinawá, uma etnia que ocupa uma região do estado do Acre.
Trata-se de um artigo publicado na revista Mana, em abril de 2002 e que a certa altura explica:

“Os laços que ligam uma pessoa a seus parentes constituem o ‘eu’  kaxinawa. Essa rede de laços vitais é criada no tempo, pelo viver junto, pela comensalidade, por compartilhar determinadas substâncias vitais, os banhos medicinais e a pintura corporal nos rituais. Secreções corporais e cheiros afetam diretamente as pessoas com as quais se vive. Uma intervenção, direta ou indiretamente praticada, que transforme o corpo de alguém, afeta sua mente, pensamentos e sentimentos. Nesse sentido, quando os Kaxinawa estão falando do corpo, estão se referindo ao ‘eu’ e às transformações do corpo, às vezes descritas como incidindo sobre a ‘alma’.
Pode-se dizer, desse modo, que o ‘eu’ kaxinawa inclui, não apenas seu próprio corpo mas também seu parente próximo. Isto explica por que uma pessoa que não reside mais na aldeia se torna mais e mais distante e, com o passar do tempo, transforma-se em um não-parente ou, até mesmo, em um não-Kaxinawa, aos olhos de quem estava habituado a chamá-la de parente. Essa pessoa pode mesmo ser transformada em não-índio, nawa, ou até perder os atributos humanos, tornando-se, portanto, um ser que vagueia, yuxin, um ser sem forma, o que implica não apenas uma mudança na aparência corporal, mas no comportamento e nos pensamentos. Yuxin, nesse contexto, significa um ser perdido no mundo, sem laços, sem lugar para ir, sem pessoas que se ‘lembrem’ dele.
Essa transformação gradual de um ser propriamente humano em um estranho e, finalmente, em um não-humano ou não-ser (quando deixa de existir totalmente), ocorre no tempo, através do comportamento e pelo contágio com a alteridade.”
Minha intenção com esse trecho é apontar para a dimensão ritualística da construção do eu e seus outros nas sociedades tradicionais.

Não temos a mesma facilidade em perceber algum tipo de ritualização entre nós, e para além da razão da intersubjetividade existente entre nós, ou seja, a dificuldade no distanciamento que permitiria nos olharmos como “outros”, está a imensa banalização de todos os aspectos da vida cotidiana.

Para essa banalização concorrem os meios de comunicação de massa e as todas as formas de comunicação interpessoal que invadem nosso cotidiano.
Não bastasse a estética da cultura de massas invadir todos os territórios da criatividade e da vida social – e vice-versa -, as câmeras, celulares e congêneres tratam de subverter qualquer possibilidade de considerarmos a imagem apenas como expressão da reflexão e da sensibilidade autoral.

A palavra e a imagem já não podem ser consideradas da mesma forma como na modernidade, vestígios de uma subjetividade reflexiva ou crítica.

As subculturas estão em constante processo de conflito e diálogo com o mercado, e as estratégias de rebeldia, negação do sistema e expressão de outros projetos sociais/culturais são freqüentemente abandonados pela incorporação de suas linguagens ao mercado. Assim, há uma eterna experimentação para demarcar esse limite.

O sujeito pós-moderno, como diria Dick Hebdige em sua obra “Hiding in the light”, as subculturas contemporâneas se escondem sob as luzes. A visibilidade é importante para legitimar as identidades.

Portanto, há sim, uma imensa dose ritualística tanto nos espaços físicos, penso naqueles ocupados pela arte (Carol Duncan escreve sobre como os museus de arte contemporâneos podem ser pensados como espaços ritualísticos da sensibilidade em nossa época), como nos espaços ocupados pelas subculturas. Essas que tiveram um papel importante em resgatar o espaço da criatividade em nossa cultura.

Seria possível então, contrapor o espaço estático dos museus de arte ao lado da transitoriedade dos espaços urbanos e seus personagens de subjetividades ritualizadas. A arte como expressão de uma mentalidade, de valores de uma época, parece se valer de nosso jogo de demarcar e burlar limites e espaços para uma nova experimentação que nos permite lembrar nossa porção kaxinawa. Estar em tribos, se aproximar, comer e conversar, usar as mesmas mensagens no corpo, praticar body art, vestir as mesmas mensagens, rir dos outros distantes, se entregar à contemplação, eleger uma nostalgia, usar certos espaços urbanos.

Se nas sociedades tradicionais o ritual está em todas as dimensões da vida, em nossa cultura as diversas dimensões da vida estão sendo ritualizadas.
Tatuar e perfurar o corpo, praticar suspensão corporal.
Somos o próprio artista até o momento em que nossa subjetividade nos diz que podemos apenas assistir ao ritual alheio.
Atualmente o outro pode ser um objeto de investimento do eu.
Ao assistir rituais que nos trazem emoções extremas, expurgamos a banalidade e reforçamos o eu, sem ter que transformá-lo necessariamente no centro do ritual.

Assim, a relação entre arte e camiseta se insere nesse campo de negociação, onde mercado e não-mercado, arte e não-arte, corpo, intimidade, exterioridade estão em constante disputa, diálogo, interpenetração, invasão, apropriação.
Já não é possível pensarmos em campos estanques e limitados na vida.
Por que pensaríamos em campos estanques e limitados na arte?

 

AT|AL|609 – lugar de investigações artísticas

Novo espaço de trabalho da artista Cecilia Stelini e do Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea abrem nesse mês de novembro com 5 mostras e uma mesa redonda.

Inaugurado nessa sexta-feira, 26 de novembro, em Campinas-SP, o espaço AT | AL |609 – lugar de investigações artísticas dedica-se à difusão da arte contemporânea por meio de projetos artísticos do Grupo Pparalelo. Espaço de trabalho original da artista Cecilia Stelini abre-se para as propostas do Grupo e passa a promover workshops, residências artísticas, curadorias, projetos de intervenção urbana e outras atividades que buscam aproximar a produção e a reflexão em arte da atual cena artística local.

Em seu projeto de inauguração o AT|AL|609 apresenta cinco mostras simultâneas e uma mesa redonda internacional. Veja, a seguir, o contexto de cada projeto em exposição:

Novos Corredores Culturais + Monitoria Espontânea – Pparalelo

A instalação Novos Corredores Culturais é apresentada na Sala Multiplo Uso. Compõe-se de 5sleeping bags que trazem a impressão de elementos grafo- visuais aplicados sobre mapas com trajetos de trabalhos anteriores do grupo. As peças apresentam a fase inicial desse projeto que se desdobrará em futuras ações extramuros do grupo programadas para 2011.

No pequeno espaço de vitrine do Art Display a reedição de Uma e três cadeiras de Kosuth é realizada para encontrar-se diretamente com os transeuntes do bairro. Trata- se de uma edição da intervenção Monitoria Espontânea realizada no último mês de junho em São José dos Campos/SP e que teve como seu convidado local, o Grupo Núcleo.

26.11.2010 a 31.01.2011. visitação sob agendamento.

Série de Video performances – Cecilia Stelini

A série de trabalhos selecionada por Cecilia Stelini para esse evento de abertura é apresentada no espaço do escritório-biblio-videoteca. As ligações da artista com a performance, bem como seus desdobramentos em vídeo são apresentados pelos projetos: Como Meca (2008), Série Bordados(2003/5), Enxerto (2010), Desamar-ame (2009) e Bentos (2006).

26.11.2010 a 31.01.2011. visitação sob agendamento.

Quem Faz seu Caminho – Matheus Giavarotti

A Sala de Entrada do AT|AL|609 recebe Quem Faz seu Caminho, proposta de Matheus Giavarotti em parceria com Anderson Rei. Composto por um revisteiro tomado por sentenças construídas a partir da interação do público a proposta é parte de suas pesquisas em pintura mural, arte pública e práticas artísticas colaborativas. Matheus integra também a mesa redonda programada para 30 de novembro.

26.11.2010 a 31.01.2011. visitação sob agendamento.

Muestra a Ver – lugar a dudas – Colombia.

A sala de vitrine recebe o convidado internacional desse evento de inauguração com uma série de vídeoprojeções organizadas pelo lugar a dudas, projeto fundado por Oscar Munhoz como instituição independente que difunde arte contemporânea a partir de sua sede em Cali, na Colombia. A Dudas é um dos espaços de experimentações artísticas contemporâneas instigantes da América Latina, com o qual Cecilia Stelini tem mantido contato. Formado por Sally Mizrachi, Carolina Ruiz, Jorge Schneider, dentre outros, o A Dudas envia Schneider como seu interlocutor com esse projeto no Brasil. Aqui apresentam a Série Muestra a Ver (2009) resultado de uma convocatória que reuniu vários trabalhos em vídeo de artistas colombianos.

26.11.2010 a 31.01.2011. visitação sob agendamento.

Mesa Redonda Questões do Trabalho Colaborativo em Arte Contemporânea.

A discussão do trabalho dos coletivos, a distância dos centros capitais, bem como a questão da visibilidade de práticas artísticas instauradas no espaço urbano contemporâneo são pontos de discussão do Grupo Pparalelo desde sua fundação. Assim, a inauguração do espaço de trabalho do Grupo organiza a mesa redonda formada por Monica Nador (JAMAC–SP), Matheus Giavarotti (AJA-SP)e Jorge Schneider (A Dudas – Cali – Colômbia) que apresentam seus trabalhos recentes e abrem as discussões sobre as possibilidades do trabalho colaborativo na arte atual. A mediação será feita por Sylvia Furegatti (Pparalelo).

30.11; 19hs. entrada gratuita mediante inscrição: contato@pparalelo.art.br.

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Ficha Técnica do Projeto:

Concepção e Realização: Pparalelo de Arte Contemporânea de Campinas

Exposições / Artistas Expositores:

Novos corredores Culturais e Monitoria Espontânea – Pparalelo de Arte Contemporanea;
Série de VideoPerformances – Cecilia Stelini;
Quem Faz seu caminho – Matheus Giavarotti;
Muestra a Ver (Video-projeções) – Lugar a Dudas / Colombia.

Período das exposições: de 26 de novembro de 2010 a 31 de janeiro de 2011.
Visitação sob agendamento pelo email: contato@pparalelo.art.br ou pelo fone: 19.3255-7689

Mesa Redonda – 30.novembro, 19h00
Mediação do Debate: Sylvia Furegatti
Integrantes da Mesa de Debate: Mônica Nador/Jamac (SP); Matheus Giavarotti (SP) e Jorge Schneider/Lugar A Dudas (Colombia)

+ info
A Dudas – http://www.lugaradudas.org
JAMAC – http://jamacdigital.wordpress.com/
Matheus Giavarotti – http://matheusgiavarotti.blogspot.com/

 

Monitoria Espontânea em São José dos Campos

Pparalelo de Arte Contemporânea intervém em São José dos Campos com o projeto artísticoMonitoria Espontânea.

Entre os dias 12 e 16 de julho o Pparalelo de Arte Contemporanea realiza o projeto Monitoria Espontânea, intervenção artística rascunhada há algum tempo pelos artistas do grupo e que agora se efetiva na cidade de São José dos Campos.

Para essa ação dois grupos artísticos contemporâneos se encontram. O Pparalelo convidou os artistas do Núcleo de São José dos Campos por sua proximidade nos ideais de trabalho estabelecendo assim outra de suas frentes constitutivas na qual estende o formato do Grupo com participações em paralelo. O projeto Monitoria Espontânea é viabilizado pela ASSAOC – Associação dos Amigos das Oficinas Culturais do Estado, por meio da Oficina Cultural Regional Altino Bondesan e com a parceria da Fundação Cultural Cassiano Ricardo.

Pparalelo de Arte Contemporânea, baseado em Campinas é formado por Sylvia Furegatti, Cecilia Stelini, Hebert Gouvea, Adriana da Conceição e Dorothea Freire e o Núcleo, baseado em São José dos Campos é formado por Ana Maria Bomfin (Pitiu), Giancarlo Ragonese e Lindsay Ribeiro. Além desses artistas, participam como convidados, Bruno Sayão, Mateus Stelini e Renata Gonçalves.

A intervenção artística Monitoria Espontânea conjuga da atual demanda de público estabelecida por uma parcela das formulações da Arte Contemporânea. Materializada, a proposta ocupa uma parte central da Praça Afonso Pena, espaço de grande circulação de pessoas na cidade.

Nesse ponto serão construídos dois cubos brancos de grandes dimensões (4m2) que apresentam a reconstrução de dois projetos contemporâneos caros à História da Arte – Uma e três cadeiras de Joseph Kosuth (1969) e Parangolés de Hélio Oiticica (1969). Os artistas do Pparalelo e do Núcleo vão se posicionar ao redor desses cubos chamando a população para conhecer os projetos e distribuindo, nesse contato, um panfleto que traz informações sobre as obras.

De caráter efêmero, a intervenção terá a duração de uma semana. Assim, os cubos servem ao projeto como pontos de encontro e objetos artísticos que ocupam a paisagem. A proposta trabalha com a conjunção de pessoas e instituições locais buscando valorizar a elaboração de projetos vascularizados pelos seus lugares de implantação.

Depois da semana de intervenção, os cubos serão desmontados e doados para a ONG Recriar, da qual faz parte Ana Maria – Pitiu, uma das artistas do Grupo Núcleo. Pitiu dedica-se ao trabalho de Artes Visuais dentro da estrutura geral dessa ONG voltada para a educação complementar para 150 crianças (8 a 12 anos) que freqüentam as atividades em horário diferente das aulas do ensino público.

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Ficha Técnica do Projeto

Criação: Pparalelo de Arte Contemporanea
Convidado Especial dessa edição do projeto: Grupo Núcleo – Pitiu, Lindsay Ribeiro e Giancarlo Ragonesi
Produção: Bruno Sayão, Mateus Stelini, Renata Gonçalves, Bruna Negrisoli, Flavia Ferreira dos Santos, Nathan de Souza Malafaia, Nilson Jose Soares
Realização/Promoção:ASSAOC/Oficina Cultural Regional Altino Bondesan/S J dos Campos
Coordenação: Washington Freitas

Apoio
Fundação Cultural Cassiano Ricardo
Prefeitura Municipal de São José dos Campos

Lugar de Contemplação na Galeria Penteado

Sobre a exposição Lugar de Contemplação:

Convite recebido como um desafio. Foi dessa forma que os artistas do grupo Pparalelo traduziram a proposta dessa exposição que já admitia em sua primeira apresentação uma proposição que pretendia tomar o espaço urbano da cidade de Campinas como parte integrante do projeto. Depois de alguns meses de trabalho de pesquisa e negociações técnicas para a viabilidade da proposta, constitui-se o projeto “Lugar de Contemplação”.

São duas instalações e uma intervenção de fachada que apresentam a proposta do Grupo Pparalelo atrelada às preocupações e interesses éticos também desempenhados pelos integrantes da Galeria Penteado. Reinaugurada em setembro de 2008, a Galeria Penteado mantém sua aposta na produção em arte contemporânea na cidade de Campinas. Para tanto, tem organizado na cidade uma seqüência de exposições de artistas tanto renomados quanto jovens que vem garantindo a agenda local de boas exposições no circuito contemporâneo. O convite feito para o grupo Pparalelo de Arte Contemporanea firmou o interesse por sua vocação em ações cotidianas de arte e formas de intervenção artística.

Esse encontro entre o espaço institucional e o urbano dá o tom do Projeto que é apresentado em conjunto com o lançamento de uma ONG dedicada à questão da preservação das árvores do Bairro Cambuí, onde se situa a Galeria. Intitulado “Lugar de Contemplação”o projeto é uma exposição que parte do interior do espaço da Galeria para escapar-lhe até a rua.  Nesse caminho encontra-se com a proposta de lançamento da ONG Movimento “Resgate o Cambuí” que se dedica ao levantamento e preservação das árvores desse bairro central da cidade de Campinas.

Exposição e ONG configuram uma combinação entre ética e estética que corresponde às propostas de trabalho do Grupo Pparalelo e dos representantes da Galeria. Assim, a partir do Texto de Heidegger –Caminos del bosque – o grupo saiu em busca de árvores selecionadas por suas copas e que foram fotografadas contra o céu repetidas vezes para gerar uma nova apreensão desse objeto. Como nos diz Heidegger: “Parece, muitas vezes, que um é igual ao outro. Porém, apenas parece ser assim.”

A visão de uma copa de árvore, como aquelas que configuram a paisagem desse lugar da cidade, há tantos anos, foi a matriz que originou a proposta pautada na percepção estética, na parada do espectador diante de coisas, objetos, idéias e propostas que merecem sua contemplação, tal qual nos acostumamos a observar os objetos artísticos.

Dentro da Galeria, em suas duas alas expositivas, será exposto um painel de teto contendo a impressão de copas das árvores em tecido (6 peças de 120 x 400 cm); e uma instalação com objetos-almofadas (20 peças de 20x20cm) nas quais páginas marcadas do livro de Heidegger permitem ao visitante reconhecer trechos que enfatizam o tema/título do projeto.

Na área externa, em frente à Galeria, estende-se um painel de grandes dimensões com outra copa de árvore. (1 peça de 600×350 cm). Esse grande painel será iluminado à noite estendendo a proposta da exposição para outros limites de tempo.

O interesse do Grupo estabeleceu-se, principalmente, pela possibilidade de uma construção conjunta entre os campos da Estética e da Ética. Essa combinação se garante pelo lançamento da ONG – projeto que já pairava as atenções dos representantes da Galeria e que ganhou novo dinamismo com a proposta do grupo.

A pesquisa sobre as condições das árvores do bairro Cambuí vem sendo realizada por Tereza Penteado, sócia da Galeria, em conjunto com um pequeno grupo de estudiosos e arquitetos que igualmente se preocupam com essa questão do bairro.

 

Pelas veredas da arte, e do mundo.
Ruy Sardinha Lopes
Filósofo, Professor de Estética e História da Arte do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da EESC-USP.

Aventurar-se pelas sendas que entremeiam as searas da ética e da estética é o que nos propõe este novo trabalho do grupo Pparalelo. Não estamos sozinhos: Heidegger, conhecedor dos caminhos da floresta, é nosso Virgílio moderno.
A referência a este pensador indica que o que aqui se dá a contemplar não é uma Arte que, resguardada em sua autonomia estética, nos invitaria a uma satisfação universal e desinteressada. Para Heidegger, o dar-se primordial da Arte é o “pôr-em-obra da verdade”. Não a conformidade do conhecimento e do objeto, mas, enquanto alétheia, a insistente oscilação entre velamento e desvelamento. Esta lembrança, que traz embutida sua historicidade, visa re-enraizar o homem no projeto extático do Ser, em sua abertura para o mundo.  A Arte é, pois, um acontecimento da verdade, a instauração e vigência de um mundo (sentido) e, ao mesmo tempo, aquilo que encobre (terra).
Interessa aqui destacar o modo pelo qual este acontecimento se dá. Ao constituir-se como manifestação do conflito, a Arte retira-nos do habitual, causando espanto, e faz advir a radicalidade do Ser. A Arte é, nesse sentido, essencialmente poesia.
O bosque instaurado na Galeria Penteado se, por um lado, atualiza buscas e investigações anteriores do Grupo, tanto no que se refere ao papel da arte na contemporaneidade e suas tensões com o público e a instituição arte, como no tocante aos amálgamas entre a esfera artística e os mecanismos acionados pela vida cotidiana, aqui ganha novo cariz.
Se a lida cotidiana da criação artística com o aberto do mundo traz o risco de amarrar a atenção à nossa habitual mundanidade, encobrindo, na acepção de nosso guia, a essência da Arte; a cumplicidade que aqui se almeja é de outra ordem. Assim, embora a questão ecológica e a preservação das árvores postas pela ONG Resgate Cambuí sejam o lócus a partir do qual as insurgências poéticas são acionadas, o deslocamento proposto por esta fala põe em obra imprevistas dimensões da própria realidade.
A copa das árvores, destituída da seiva que lhe dá vida e daquilo que a enraíza, aparece aqui sem serventia, como puro objeto de contemplação. Etérea e eterna, firmamento e substrato, contraposta à urgência de nossa modernização inconseqüente, transpassa os limites da arte e nos convida a refletir sobre o enigma de nós mesmos e os múltiplos modos de “estarmos-no-mundo”.
Se a perduração deste toldo/copa pode sugerir acolhimento, não nos iludamos. A presença, necessária, da palavra, ao mesmo tempo em que nos serve de bússola, mostra-nos que plurais, imprevistos e erráticos são os caminhos do bosque que o cruzamento da arte com o mundo nos faz ver e que aqui somos convidados a trilhar.

Texto de Apresentação de Márcio Lupion

Arquiteto e urbanista, Mestre em arquitetura simbólica e Doutor em arquitetura mitológica pela Universidade Mackenzie.

Trecho selecionado a partir da Dissertação de Mestrado “A Stupa – uma análise da arquitetura simbólica budista”, defendida em 1998 no Curso de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A “cidade moderna” é uma organização complexa, dinâmica e instável. Ela muda de caráter e de aspecto tal como um organismo biológico que nasce, cresce, vive e morre. Morre quando pára de evoluir, morre quando perde a razão de sua existência.
Mas, para existir essa dinâmica e evolução, é necessário que o Homem empreste de si à cidade tais características, qualificando a sua existência. Em que se constitui a cidade senão em organizações espaciais relacionadas entre si constituindo sua própria continuidade enquanto prolongamento do homem? Tal espacialidade recebe diversos nomes tais como “rua”, “avenida”, “praça”, “áreas livres”, “parque”, etc., de acordo com as suas funções, mas estas não estão, entretanto, estritamente relacionadas às funções básicas de satisfação psicológica humanas, tanto no espaço interno de sua organização como no espaço externo.
Um único trabalho de um arquiteto de renome tem bastado para classificar, determinar, precisar, preconizar todo um compêndio de teorias, princípios e regras. Apareceram tantos “ismos” que levam os arquitetos e estudiosos a viverem em constante atividade para colocarem em dia seus conhecimentos e verificar como podem classificar seus trabalhos. Isto porque não se admite que o arquiteto, o pintor, o escultor, estejam simplesmente fazendo arquitetura, pintura ou escultura; para merecerem atenção e referências precisam fazer arquitetura engajada a algum movimento ou pensamento. Não percebem que existe uma metamorfose acontecendo em altísssima velocidade e que é impossível determinar o real efeito que isto está causando ao Homem integrado às comunicações.
Seria mais útil e necessário analisar o espaço e sua organização através do “Mito-gerador”, nas obras Arquitetônicas históricas e contemporâneas, do que analisá-lo a partir de uma simples memorização de estilos, detalhes de fachadas, estruturas e materias de construção, ignorando a razão primordial que alimenta o “espírito”, que é o esclarecer o por quê se faz isso.
O “Porque” é com certeza o grande ausente do vocabulário “arquitetês” dos nossos dias. Nos contentamos com a definição estética da Obra; ela tem que ser fotogênica.
Reflexo de um tempo onde a “casca”, a forma exterior, sobrepuja o “interior”, os valores que elevavam o homem através da Arte e Arquitetura parece que desapareceram junto com as tradições Iniciáticas dos construtores góticos… estas tradições que, como o Budismo com suas Stupas e Templos, elegiam o Mito e a Comunidade como Partido Arquitetônico.
Onde este desinteresse pela analise sobre o significado afetivo da obra “explode”? No estudante de arquitetura e, em pior escala no usuário, ambos vivendo perdidos nas experiências utópicas dos pensamentos “istas” que, na maioria das vezes, retiram a possibilidade de empatia do usuário para com o Espaço Urbano.

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Sites Relacionados:

Galeria Penteado

ONG Resgate o Cambuí

 

Imprensa:

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EPTV.COM
PORTAL VITRUVIUS
GAZETA DO CAMBUÍ
PORTAL CBN. ESPAÇO CBN CULTURA

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PANORAMA CRÍTICO. BLOG. FRAGMENTOS REMANESCENTES DA CULTURA CONTEMPORANEA

Buenos Aires – Argentina

SYLVIA FUREGATTI E HEBERT GOUVEA EM BUENOS AIRES: SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE ARTE PÚBLICA | VISITA AO PROJETO ELOISA CARTONERA | INTERVENÇÃO CUL DE SAC.

1º SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE ARTE PÚBLICA

Buenos Aires sediou, no mês de novembro de 2009, o Primeiro Seminário Internacional de Arte Pública na América Latina organizado pelo GEAP – Grupo de Estudos sobre Arte Pública na América Latina. O projeto, ligado à Universidade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires, ocorreu entre os dias 11 e 13 de novembro e reuniu pesquisadores, artistas e estudiosos do tema, de diferentes países latino-americanos (Brasil, Argentina, Peru, Colombia, Uruguai), além de representantes da Europa (Espanha).

A presença maciça dos brasileiros no evento demonstrou o interesse por encontros como esse. Foi possível construir uma vasta troca de idéias e estudos por meio de apresentações dedicadas a casos específicos de Esculturas Públicas, monumentos, intervenções artísticas contemporâneas, projetos governamentais de manutenção e restauro urbano, dentre outras propostas de conceituação desse campo e de curadoria para projetos com características de site specific art; por seus desdobramentos em projetos subvencionados ou leis urbanas de incentivo à inserção de esculturas e projetos artísticos nos espaços urbanos atuais. 

Sylvia Furegatti integrou a mesa da tarde do dia 11 com uma apresentação que trazia um recorte de sua pesquisa acadêmica recente. O trabalho intitula-se: As constituições da Arte no Meio Urbano ao longo do século XX. Arte Pública, Arte Urbana e Intervenções Artísticas no Meio Urbano. Por ora está disponibilizado no resumo impresso e no CD Room do Simpósio.

Esse estudo reflete parte importante de seu atual trabalho de pesquisa voltada para as formas atuais da Arte Extramuros. O foco empregado nesse encontro busca problematizar a confluência existente entre o discurso e as características próprias das formas de ação artística no espaço urbano e aberto contemporâneo. Em linhas gerais, propõe-se ao aprofundamento da discussão sobre as configurações existentes dentre: Arte Pública, Arte Urbana e Intervenções artísticas no meio urbano.

A multiplicidade de abordagens dos cerca de 60 pesquisadores presentes nesse Seminário suscitou um importante debate além de fomentar o nascimento de um grupo dedicado a esse campo de estudo na América Latina.

Notadamente, a abordagem apresentada pelo corpo das pesquisas dos demais representantes sul-americanos deteve-se sobre o século XIX; sobre a formação da imaginária urbana permeada pelo busto-monumento nesse período; sobre a questão da memória e da identidade firmadas pela construção de esculturas públicas e sua relação com o entorno urbano das cidades.

De forma geral, as pesquisas apresentadas pelo grupo de brasileiros projetaram um campo de interesse orientado principalmente para o século XX e XXI. Os trabalhos levantaram elementos constitutivos das atuais formas de Arte Pública e Urbana, além de aspectos de curadoria e projetos elaborados nesse contexto mais recente.

A participação do Grupo Pparalelo nesse evento também foi garantida pela presença de Hebert Gouvea que participou do Seminário como ouvinte. As programações se iniciavam as 9h00 e seguiam ao longo do dia até as 20h00 ocupando diferentes auditórios no centro da cidade de Buenos Aires.

VISITA AO PROJETO ELOISA CARTONERA

Ao longo da semana, entre Seminário e visitas de reconhecimento local os artistas do Pparalelo foram conhecer o Projeto Eloisa Cartonera, situado no Bairro La Boca em Buenos Aires. O projeto ganhou destaque recente no meio artístico brasileiro por sua participação na 27ª Bienal Internacional de São Paulo, edição curada por Lisette Lagnado, intitulada Como viver junto.

Ocupando um prédio simples de esquina nesse movimentado bairro portenho, o grupo de catadores de papelão que constroem livros de modo experimental recebeu os artistas do Grupo Pparalelo apresentando suas novas criações que igualmente derivam de frases poetizadas, imagens pintadas e suportes cotidianos que agora escapam dos livros para tomar a forma de bonecos, cartazes e camisetas. Nessa tarde, discutiu-se um pouco sobre a configuração artística do projeto, de como a proposta reverberou e foi bem incorporada às proposições de Arte Pública praticadas no Brasil, situação que não pareceu abalar a crença na realidade de sobrevivência dos seus representantes, um pouco poetas, um pouco vendedores, um pouco catadores de papelão.

Inseridos no sistema de distribuição das livrarias comerciais da Província, os representantes do projeto, Ricardo Piña e Miriam (Onça), presentes naquela tarde, formulavam sua visão de artistas a partir da poesia mais que da visualidade. Demonstraram orgulhosamente a abrangência conquistada pelo projeto em toda a América Latina enfatizando seu contexto literário e experimental.

Foi possível perceber que o aspecto de inclusão social que alicerça o Projeto projetava-se em seus discursos espontâneos propondo que o sentido ético do grupo, não o estético, foi o vetor primeiro ativado para alcançar o dado artístico desse ateliê de livros feitos em cartão.

Encontrar uma forma de trabalho como resistência à crise econômica e social pela qual passou a Argentina construiu a forma da Cooperativa e possibilitou o encontro com o trabalho da Editora.  Essa consciência do trabalho arregimentou as pessoas que participam do cotidiano de recolha dos papelões, fabricação dos livros, exposição e vendas no Ateliê do Grupo.

Ricardo e Onça desconheciam a autenticação artística visual aplicada ao Grupo em sua passagem pela Bienal Internacional de São Paulo e demais circuito de Galerias de Arte e instituições que por aqui firmavam e também vendiam exemplares desses livros como objetos de arte.
A visita-entrevista tomou cerca de 3 horas e sugeriu, pela postura adotada por esses representantes legítimos do Projeto, que a simplicidade do trabalho desses cartoneros interessa-se, fundamentalmente, pela sublevação conseguida no resultado artístico do trabalho. Contínuo, em pleno funcionamento por anos, o debate com esses representantes levantou a questão desses pesos e medidas presentes na forma da Arte Pública atual frente às leituras mais amplas.

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INTERVENÇÃO ARTÍSTICA CUL DE SAC

A passagem por Buenos Aires também contou com uma intervenção urbana de Sylvia Furegatti. A intervenção pelas ruas da cidade foi uma continuidade do Projeto de intervenções artísticas Cul de Sac, proposta coletiva paralela à Bienal de Veneza/2009, curada pelo belga Lino Polegatto do qual participaram Sylvia e Franco Angeloni, dentre outros artistas.

No sábado, dia 14, já encerrado o Seminário, Sylvia e Hebert efetuaram desenhos efêmeros em 7 pontos urbanos monumentais e ou históricos da cidade de Buenos Aires: proximidades do Obelisco, MALBA, Museu de Belas Artes, Hard Rock Café, Rampa de acesso para a Faculdade de Direito, Ponte da Mulher em Porto Madero, etc.

A proposta original do Projeto Cul de Sac, em sua versão européia, pressupunha a inscrição de variados desenhos de artistas por um grupo de colaboradores locais que se organizaram para intervir sobre o pavimento das ruas e passagens de Veneza. Para a Argentina, manteve-se esse contexto colaborativo. Sylvia realizou o desenho de seu projeto Part Participation e Hebert replicou o trabalho de Franco Angeloni – Antarctica Frozen Communists Party.

Esse dia de trabalho teve encontros muito interessantes com outros artistas e estudantes de Design argentinos que também dedicaram seu final de semana para a prática de intervenções artísticas. Na praça em frente ao Museu de Belas Artes pudemos debater as idéias de cada projeto em execução com um grupo local que propunha a construção fictícia de equipamentos de filmagem para controle do espaço público.

O espaço urbano de Buenos Aires se mostrou bastante receptivo às intervenções politizadas que empregam o sticker e o grafitte de teor quase sempre politizado. Além disso, também estampa em seus grandes e freqüentes jardins e parques públicos coleções de esculturas públicas e monumentos públicos nacionalistas que mostram uma cidade-capital bastante instigante para os investigadores desse campo artístico.

Part Participation, executado com giz azul ou amarelo sobre as calçadas, bancos e passagens repetia a metade superior da Bandeira Brasileira pelo espaço urbano argentino. A escolha dos lugares para sua aplicação, relativamente abertos, limpos e de fluxo bastante grande de pessoas, pode chamar a atenção daqueles que por ali passaram no curto prazo de sua duração.

Edição #5 do Projeto Calendário

O artista europeu Franco Angeloni é o próximo convidado para o Projeto Calendário do Pparalelo de Arte Contemporânea.

O artista italiano Franco Angeloni integra o projeto Calendário em sua quinta edição a ser inaugurada na próxima quarta-feira, dia 25 de novembro na vitrine do ATQG do Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea.

Intitulada Red Wrapping paper flying over trash and an anonymous man witnessing this colorful event título que pode ser traduzido por: “Papel de embrulho vermelho voando sobre o lixo e um homem anônimo testemunhando esse evento colorido” traz uma bela imagem fotográfica selecionada a partir das constantes visitas que faz o artista à Bangkok.

Franco vive atualmente na Holanda, porém viaja constantemente entre a Europa e o Oriente. Seus outros dois endereços certos, que lhe oferecem também fonte de variada inspiração são a Itália e a Tailândia.

O trabalho apresentado no Projeto Calendário nos traz uma paisagem insólita construída pela mistura de monumentos orientais sagrados rodeados pelo descarte dos acúmulos urbanos da atualidade. O clima construído pela imagem nos leva à reflexão sobre o peso e importância da memória, dos cultos, da globalização e do consumo pelo planeta. Sua proposição estética pretende ainda evidenciar o elemento decorativo da cor nos variados cantos desse cenário que surpreende também pela desconstrução mítica do exotismo com o qual identificamos o oriente. Joga com o jovem homem que o acompanha nesse dia do encontro com a cena e com quem conversa sobre o lixo e os monumentos para concluírem numa conversa rápida a possível relação entre as sobras e o banquete promovido pelos habitantes desses monumentos.

Essa série fotográfica foi iniciada por Angeloni em 2008. As saídas que constrói para seu trabalho variam dentre fotografia, instalação artística, intervenções urbanas e objetos que tem em comum certo senso crítico dos materiais e imagens cotidianas quando ressemantizadas para o sistema artístico.

Esse não é o primeiro projeto do artista com o Grupo Pparalelo. Angeloni já participou de projetos coletivos anteriores, também expostos nessa sala de vitrine, como o projeto Escaparate, realizado em novembro de 2008.

A 5ª edição do Projeto Calendário é a única que apresenta um artista externo ao grupo Pparalelo. É também a penúltima da Série que se finalizará com o trabalho da artista Dorothea Freire. A bela imagem de Angeloni, com sua dimensão de (2,10 x 2,60m)  fica em exposição entre 26 de novembro e 16 de dezembro.

Como sempre, o objetivo é alcançar o público passante do bairro Cambuí da rua, para que possam conhecer novas estratégias visuais de exposição contemporâneas. Pode ser vista o dia todo do lado de fora, na vitrine, ou então, sob agendamento pelos emails: contato@pparalelo.art.br;sylviafuregatti@pparalelo.art.br

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Ficha técnica do Projeto:
Próxima edição do projeto:

#6 – Dorothea Freire a partir de 18 de dezembro.
Já realizados:
#1 – Cecilia Stelini (junho).
#2 – Hebert Gouvea (julho);
#3 – Adriana da Conceição (agosto).
#4 – Sylvia Furegatti (outubro);

 

 

Calendar Project | 5 EDITION _ Franco Angeloni ©2009

Red wrapping paper flying over trash and an anonymous man witnessing this colourful event” _ ©2008 Photograph

This photograph comes from a series that I made during a year time in and outside of the city of Bangkok. Each of them has a relationship with the upper and the underworlds.

Red wrapping paper flying over trash and an anonymous man witnessing this colourful event” happens to be one that I took on a sunny day when someone, out of this brand new family that I “built” around myself, invited me to go for a drive in the country side.
In the car, that day, we were respectively: A woman in her 30’s, a woman in her 40’s, (the driver), a woman in her 60’s, a young boy aged 5 and me.

It took us about two hours to drive out of the city and by the time we entered this large property, after zigzagging through an undetermined number of small roads surrounded by rice fields, it was already noon. Everyone got out of the car and with relentless pace headed on walking to the main building, which was standing with open doors in the middle of a fenced yard.
The young boy did not follow the group and walked around the yard in search of something to entertain himself, something that he soon found. Suddenly in front of his eyes a large concrete platform appeared. Upon it and scattered all over forming a rigid composition, numerous rocket-shaped monuments were standing. The monuments emanated with their upstanding posture a rather serious and frightening force but, the colorfulness with which they were decorated gave them all a sense of playfulness. It looked as if an abstract multiplied authority, without any specific active intentions, had been set there for ruling in a silent and motionless jungle.
At the edge of this speechless show tons of debris and rubbles and rest of human waste were dispersed, perhaps waiting for a disposal process that only nature would have been able to perform. I stood a few meters from this scene and just as many meters from the boy.

It was right at that moment that the young boy, standing in front of this odd horizon asked me abruptly:
Why is all this trash surrounding these beautiful tombs Mr. Ulter”.

I answered in an awkward way, not knowing what exactly to say and trying to be as ironic as I could:
Oh yes, that is trash. The leftovers by the dead living underground who had dinner last night and did not bother to clean up soon after”.

He replied with a freezing remark that only a child can make:
“So, you mean to say that all the trash that we see back in the city every day is produced by the dead people who live under it?”.

Without giving him a proper answer I took him by the end and draw him away from that divine scene. We joined back with the others, boarded all into the car and in a speechless drive we rolled the car wheels back again towards the crowded city.
Later on that night I found myself walking silently on the roof of an inhabited underworld.

 

Edição #4 do Projeto Calendário

Seres Primordiais de Sylvia Furegatti dão continuidade ao Projeto Calendário do Pparalelo de Arte Contemporânea.

A quarta imagem a ocupar a vitrine do ATQG do Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea de Campinas apresenta, a partir do próximo dia 02 de outubro, a continuidade das pesquisas dedicadas à série Seres Primordiais de Sylvia Furegatti.

A Série fotográfica, iniciada nesse ano de 2009, reúne uma seqüência de lugares visitados pela artista selecionados por constituírem-se como depositários de materiais naturais como pedra, areia e terra que tomam forma na paisagem urbana a partir da prévia manipulação humana com a devida ajuda tecnológica de tratores, escavadeiras e caminhões.

Esses lugares impressionam por apresentarem-se numa condição de camada revolvida e descoberta pelo tom indicativo da passagem anterior de muitas pessoas e maquinário usado na construção desses montes (supostamente) artificiais na paisagem natural.

Artificialidade e naturalismo constituem o elemento de tensão que interessa às proposições artísticas dessa pesquisa. Os montes de terra fotografados são entendidos como recombinações de trechos da paisagem que promovem a articulação desse novo lócus pelo emprego sutil do mesmo tipo de matéria que criou aquela paisagem.

Assim, agindo no ínterim formado pela conjunção Arte e Paisagem, a construção da série fotográfica toma forma de registros desses depósitos de minerais construídos artificialmente pelo homem e despercebidos no cotidiano. Resgatados de seu contexto mitológico, esses Seres Primordiais nos lembram forte conexão entre céu e terra, entre o mortal e o imortal representado pela montanha.

Os primeiros desses seres, assim identificados pela artista, foram apresentados na Galeria de Arte da Unicamp em maio desse ano numa seqüência de imagens de montes de areia, terra ou pedras. Dessa vez, a deriva levou a artista ao território das indústrias de vidro do interior do estado que mantêm seus depósitos à margem das rodovias, lugares nos quais se erguem belos montes de cacos de vidro transparente.

Expostos contra a luz do dia, à velocidade do trânsito nas rodovias, os montes provocam a atenção do passante por seu brilho e forma condensada. Para um artista em deriva, agem como ponto de grande atenção.

O peso dessas estruturas é outro dado visual revelado pela quantidade de pequenas partículas que o constroem. Chegam a assumir dimensões de 3 ou 4  metros de altura,  extensos 10 metros de comprimento e bases variadas entre 3 e 10 metros. Formados pelo tempo, alguns desses montes chegam a ter mais de dez anos.

Os montes formados por vidro transparente são mais raros, próximos do branco, nos levam a pensar na partícula da areia. Mais comuns são os verdes e âmbar transformados de garrafas e outras peças anteriores levadas para a reciclagem do vidro nessas indústrias.

A imagem selecionada para a Vitrine do ATQG apresenta um dos maiores montes conhecidos nessa viagem feita por Sylvia. Guarda informações sobre o dia, o caráter urbano dessa paisagem e estende nosso olhar por uma superfície formada, toda ela, por vidro.

O lançamento dessa edição acontece na sexta-feira, dia 02 de outubro, às 17hs. A exposição do trabalho na vitrine permanece até 31 desse mesmo mês e pode ser vista o dia todo do lado de fora, na vitrine, ou então, sob agendamento pelos emails: contato@pparalelo.art.brsylviafuregatti@pparalelo.art.br

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Ficha técnica do Projeto:
#4 – Sylvia Furegatti de 02 a 31 de outubro;

Próximos artistas e datas:
#5 – Franco Angeloni de 01 a 25 de novembro (artista convidado);
#6 – Dorothea Freire de 27 de novembro a 31 de dezembro.

Já realizados:
#1 – Cecilia Stelini de 09 de junho a 03 de julho.
#2 – Hebert Gouvea de 10 de julho a 24 de agosto;
#3 – Adriana da Conceição de 26 de agosto a 11 de setembro de 2009.

 

Deslocamento de Paisagem

Intervenção Artística ocupa trechos do centro de Ouro Preto buscando chamar a atenção para o Dia Internacional Sem Carro.

Deslocamento de Paisagem. Pparalelo realiza Intervenção Artística e Debate em Ouro Preto.

No dia 22 de setembro, o Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea realiza uma intervenção artística para as comemorações do Dia Internacional Sem Carro na cidade de Ouro Preto-MG.
O Grupo Pparalelo, sediado na cidade de Campinas, SP, tem marcado sua atuação nesse tipo de preocupação sócio-cultural já há quatro anos, de modo individualizado ou pelo coletivo de seus artistas.
A cada ano o Grupo procura uma nova cidade para realizar esse projeto. Para a edição de 2009 a escolha recaiu por uma cidade histórica que pudesse congregar características de valor artístico urbano e variado fluxo público nas suas ruas. Assim, a cidade de Ouro Preto foi escolhida devido à sua característica impar de alta freqüência de pessoas dos mais variados lugares do planeta, por constituir-se da presença de um público dotado de olhar investigativo, tal qual o turístico, além da configuração participativa e socialmente comprometida de suas instituições e comunidade local. 
A intensa vida cultural da cidade de Ouro Preto e sua configuração à margem do circuito artístico contemporâneo convencional também reforçam outro caro posicionamento do Grupo Pparalelo em trabalhar novos corredores culturais além do eixo Rio-São Paulo-Capital.
No ano de 2008, o projeto Fui a Pé, construído pelo Grupo para as cidades de Limeira, Campinas e Valência-Espanha, incluiu a primeira delas, Limeira-SP, na listagem das 56 cidades brasileiras que participam dessas Comemorações cadastradas pela Instituição Rua Viva sediada em Belo Horizonte-MG.
Apostando na construção desses novos corredores, o projeto Paisagem Deslocada será produzido a partir de imagens da própria cidade estampadas em grande formato e expostas em dois pontos centrais. Os formatos adotados para o projeto assumem uma identidade intimista através de um varal de 2,5 x 5m, instalado na Rua Antonio Pereira (ao lado do Museu da Inconfidência), e de um painel constituído por 64 travesseiros, mediando no total 4,00 x 5,60m, exposto no trecho da Rua Costa Sena em frente à Igreja de São Francisco de Assis. As imagens reconstroem as paisagens de montanhas e monumentos deslocados de sua estrutura visual original e se fragmentam nas partes do varal e dos travesseiros que serão em parte doados aos parceiros e vendidos aos demais interessados.
A Ourotran, setor responsável pelo trânsito urbano de Ouro Preto, vai fechar esses dois trechos para a circulação de veículos ao longo do dia 22 de setembro, enquanto perdurar a ação artística. Além desse organismo público, outra participação importante para a viabilização do projeto encontra respaldo no apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e da UFOP.
No dia 21, véspera da ação, a partir das 19h30, os integrantes do Grupo participam de um Debate sobre os possíveis encontros entre Arte, Cultura, Mobilidade e Qualidade de Vida Urbana no espaço do Teatro Municipal, antiga Casa da Ópera, Rua Brigadeiro Musqueira, s/n°, Centro.  A prof. Dra. Marta Maia (ICSA/UFOP)  coordena o Debate e fará a mediação. Do Grupo Pparalelo, a artista visual e profa. Dra. Sylvia Furegatti (Unicamp) participa da discussão junto da economista profa. Dra Marlene Grade (ICSA/UFOP) e da arquiteta profa. Cristina Simão (IFMG Campus Ouro Preto).
Dessa forma pretende-se estender o convite para a audiência do debate para que participem da ação artística do dia seguinte. Nesse dia 22, para aproximar o público passante do projeto, serão distribuídas filipetas informativas além de conversas entre os mais interessados e os artistas do grupo que estarão presentes nos dois pontos de intervenção.
A atenção usualmente empregada por Ouro Preto para o patrimônio artístico e seu interesse por eventos culturais a coloca como cidade modelo para esse tipo de ação. Caminhar a pé já faz parte da rotina do morador local e surpreende, de modo geral, o turista que a conhece pela primeira vez. O projeto Paisagem Deslocada traduz essas preocupações com qualidade de vida, consciência urbana e sustentabilidade do planeta.

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Ficha Técnica do Projeto:

Concepção e Realização: Pparalelo de Arte Contemporânea de Campinas

Apoio Logístico: Ourotran e Guarda Municipal de Ouro Preto

Infraestrutura de Montagem e Apoio na Divulgação: Secretaria Municipal de Cultura e Turismo

Apoio de Produção: Gracy Laport

Coordenação do Debate: Marta Maia (Curso de Jornalismo – UFOP)

Integrantes da Mesa de Debate: Marlene Grade (UFOP), Cristina Simão (IFET), Sylvia Furegatti (Grupo Pparalelo / Unicamp) e Marta Maia (UFOP)

Preparação e Tratamento das Imagens da Intervenção: Ivan Avelar

Parcerias: Curso de Comunicação Social (Jornalismo) da UFOP; Pró-reitoria de Extensão da UFOP, Hotel Boroni Palace; Restaurante Casa dos Contos; Textil Judith; The Image Press; Gráfica Mundo Digital; Portal ouropreto.com.br.

Agradecimentos: Gleiser Boroni, Carlos Mendes, Karla Boroni, Rogério, Ana Paula, Angélica Quintas, Vera Lúcia Flores, Eduardo Tropia e Marta Maia.

Ipanema no Projeto Calendário # 2

Hebert Gouvea apresenta Eu em Ipanema no Projeto Calendário # 2

O projeto Calendário do Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea renova sua apresentação nessa semana com o trabalho de Hebert Gouvea. A partir da sexta-feira, dia 17 de julho, as 17hs o Espaço de Vitrine do ATQG será ocupado pelo trabalho Eu em Ipanema, uma grande imagem fotográfica construída das pesquisas recentes do artista sobre as intersecções possíveis entre padronagens, espaços urbanos e sentido de localização espacial na paisagem conhecida.

Partindo da manipulação digital e de processos serigráficos a imagem da calçada de Ipanema – RJ é transportada para o espaço da vitrine numa impressão de Artex canvas. A construção da imagem inclui também uma parte do corpo do artista, usualmente presente em seus projetos, sobre o forte referencial simbólico do desenho da calçada carioca. Além dessa imagem Hebert Gouvea produziu um tapete em vinil que tem a mesma padronagem impressa e que será usado por ele nos seus percursos cotidianos entre as cidades de São Sebastião, Louveira, São Paulo, São José dos Campos, além de espaços internos de parada costumeira em diferentes pontos da cidade de Campinas.

Os registros dessa deriva serão postados no site do Grupo Pparalelo ao longo da exposição buscando estabelecer ligações entre as imagens de calçadas urbanas e a padronagem conhecida da calçada de Ipanema.

Hebert Gouvea é o segundo dos seis artistas que integram o projeto Calendário. As respostas da primeira edição, realizada com a artista Cecilia Stelini, permitiu ao grupo perceber o interesse dos usuários urbanos cotidianos nessa proposição artística que se constrói na mesma velocidade de recepção na qual a vida cotidiana e a noção de passagem permitem que se realize um encontro.

Ficha técnica do Projeto:

Seqüência das apresentações:

#2 – Hebert Gouvea de 10 de julho a 10 de agosto de 2009;

#3 – Adriana da Conceição de 26 de agosto a 11 de setembro;
#4 – Sylvia Furegatti de 16 de setembro a 16 de outubro;
#5 – Franco Angeloni de 23 de outubro a 20 de novembro (artista convidado);
#6 – Dorothea Freire de 27 de novembro a 31 de dezembro.

Já realizados:

#1 – Cecilia Stelini de 09 de junho a 03 de julho.

Local: Sala de Vitrine do ATQG – Rua Antonio Lapa, 609 Cambuí Campinas, SP

Visitação sob agendamento pelo email: contato@pparalelo.art.br ou hebertgouvea@pparalelo.art.br

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