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Lugar de Contemplação – LNNano

Apresentada originalmente, em 2010, a instalação artística “Lugar de Contemplação”, que inaugura esse espaço expositivo do LNNano, foi projetada como uma exposição que partia do interior do espaço da Galeria Penteado, situada no Cambuí, Campinas, para escapar-lhe até a rua. Aceitando o convite/desafio proposto ao Grupo Pparalelo pela Galeria, a mostra criada para aquele espaço contemplava vários trabalhos e conversa aberta com a comunidade. Já discutia ali, plástica e poeticamente, a contemplação praticada pelo homem ante a natureza. Na forma que assume, desde 2015, como parte de um projeto contemplado pelo Prêmio FICC da Secretaria de Cultura de Campinas, organiza-se como uma instalação composta por três sofás e um conjunto de almofadas que, num primeiro momento, convidam as pessoas para uma parada naquele lugar de forma que possam descansar do seu cotidiano. Esse escape pretende, contudo, conduzir seus interlocutores para o diálogo com o território da arte. Nesse ambiente, os visitantes tem acesso ao texto “Caminhos da Floresta”, escrito originalmente por Heidegger, em 1949. Suas páginas, traduzidas para o português, pela editora Duas Cidades, em 1969, foram impressas na forma de almofadas menores dispostas sobre os sofás e vêm provocando, nos mais variados públicos e espaços por onde o trabalho já foi apresentado, convite para a leitura e reflexão. Como diferencial, para o espaço do Laboratório Nacional de Nanotecnologia, foi acrescentada à instalação, um excerto do livro de Heidegger adesivado sobre a janela de vidro. A disposição desse texto simula uma linha que remete às árvores da floresta ao fundo: um dos motivos que justificam a escolha desse projeto para o espaço. Sylvia Furegatti | Hebert Gouvea | Pparalelo de Arte Contemporânea

Serviço
Abertura: 19.maio.206, 15h
Visitação: 20.maio a 31.julho, 2016, das 8h às 17h
Local: CNPEM | Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais R. Giuseppe Máximo Scolfaro, 2524 – Cidade Universitária, Campinas – SP

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III ENCONTRO CIDADES E UNIVERSIDADES. UFRGS – Porto Alegre. Brasil

O Encontro de Cidades e Universidades  realiza-se a cada dois anos e tem como objetivo fortalecer e dinamizar os processos de vinculação, cooperação, transferência e gestão tecnológica entre o sistema universitário e o sistema urbano regional. Este encontro tem entre seus objetivos: difundir o trabalho conjunto entre os governos locais e as universidades, em que estas últimas fornecem respostas para as necessidades e desafios colocados pelos primeiros; sistematizar o trabalho realizado entre as partes e partilhar boas práticas. 

Fruto do trabalho articulado entre as Redes AUGM (rede de universidades públicas) e a Mercocidades (rede de municípios da América do Sul) surge o Observatório Urbano de Transferências de Inovações Tecnológico-Sociais, que tem entre seus objetivos divulgar e partilhar experiências de boas práticas de trabalho articulados entre universidades e governos locais. 

O Encontro desenvolve paralelamente atividades culturais, com o fim de promover e proteger a cultura regional e cidadã como bem social inestimável na área de influência de tais redes. Estas actividades recebem a contribuição das diversas experiências culturais acumuladas entre outras, na Comissão Permanente de Produção Artística e Cultural AUGM.

A Prefeitura de Porto Alegre é uma das fundadoras da rede Mercocidades, organização com 20 anos e que atinge 300 municípios em seis países da América do Sul. O Município está comprometido com um processo de integração regional que seja direcionado para o desenvolvimento local e que leve em conta as particularidades das cidades da região.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul é uma das 31 Instituições membros da Associação de Universidades do Grupo de Montevidéu, que agrupa acadêmicos de seis países do Mercosul. É com imenso prazer que receberemos o Encontro de Cidades e Universidades, cuja proposta é aproximar as práticas acadêmicas em vigor nas universidades da AUGM das experiências de gestão das Prefeituras do Mercosul nas quais elas se localizam. Por serem ancoradas em seu território, as universidades dependem intrinsicamente da gestão local: transporte público, normas de construção civil, sistema hídrico, saneamento, atividades culturais e saúde pública. Esses são apenas alguns exemplos de políticas unindo as cidades, gestores e as Universidades. A partir desta relação entende-se que as universidades são loc de produção de conhecimento, de tecnologia, e de cultura, refletindo nas temáticas de interesse para os gestores das cidades e formando os cidadãos que participam da vida urbana. Promover um fórum para que se encontrem os gestores das cidades e os acadêmicos das universidades é o objetivo deste encontro. Todos são bem-vindos para ouvir e compartilhar.

A organização de dois dos projetos artísticos do evento – “Ocupa Tapumes” e o “Ocupa Jornal” está à cargo da artista visual e profa dra da URGS Maria Ivone dos Santos. Sobre esses dois suportes de pesquisa e difusão artístico-cultural, organiza-se a participação de dezenas de artistas do Brasil e do Uruguai que elaboraram paineis públicos de 2 x 4 m em lambe-lambe, especialmente enviados para o evento. Esses trabalhos foram reunidos para ocupar parte dos 1.5 km de tapumes que atualmente separam a cidade do canteiro de obras de revitalização da orla do Rio Guaíba. 

 

CULTURA INTERIOR

“Cultura interior” nos conduz para o estado de latência da arte e da cultura em cidades relativamente apartadas dos principais eixos capitais/ capitalistas da arte, mas que, apesar disso, podem ser consideradas como persistentes produtoras e difusoras da arte contemporânea.

Originalmente apresentada em agosto/2015 na cidade de Sorocaba/SP para as comemorações do aniversário da Oficina Cultural Grande Otelo, a proposta para Porto Alegre é reformulada para compor o projeto Ocupa Tapumes por meio de dois paineis consecutivos nos quais sentenças indicativas para o estatuto da arte de hoje e sua configuração em constante revisão no espaço geográfico são dispostas para o transeunte urbano. 

O primeiro dos dois painéis apresenta o texto que dá titulo ao projeto em letras brancas e fundo vermelho.O próximo painel tem fundo branco e traz letras pretas que replicam um statment de um dos primeiros textos de fundação do Grupo Pparalelo (2008), no qual se lê: “Arte para muitos, aos poucos…”

Desde que foi pensada, discutida e divulgada, a frase busca chamar a atenção para a dinâmica da recepção da arte de hoje pelos mais distintos públicos que habitam as cidades do planeta.

 

+ info : https://www.ufrgs.br/cidadeseuniversidades/

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INTERVENÇÃO ARTÍSTICA: CULTURA INTERIOR

 

Cultura Interior integra o projeto “Poéticas do Inacabado” concebido pela Oficina Cultural Grande Otelo como um diálogo permanente entre pensamento, criação e público.  A Proposta é constituída de workshops preparatórios e de intervenções artísticas nos tapumes que circundam obra de restauro do prédio da Oficina Cultural Grande Otelo, na Praça Frei Baraúna, cidade de Sorocaba/SP. O processo dessa ocupação foi conduzido por quatro artistas. De Sorocaba: Lucia Castanho, Adriana Dias um Coletivo de Grafiteiros. Como convidado externo: o Pparalelo de Arte Contemporânea.

As atividades dos artistas ocorreram no sábado, dia 29 de agosto. Muitas delas formuladas de forma colaborativa, juntamente com participantes de workshops desenvolvidos previamente pelos artistas locais. A sugestão da ocupação buscava ressemantizar um espaço de espera: o aguardo pelas finalizações da reforma pela qual passa o prédio da sede da Oficina onde já funcionava o antigo Fórum Municipal.

Sob esse contexto, o Pparalelo criou a intervenção “Cultura Interior”; um painel público construído na área externa da Oficina sobre um tapume de metal ondulado que possui três partes. Ao centro, no formato de um outdoor , podemos ler a frase que dá titulo ao projeto: “cultura interior”. Bastante visível  pelo seu tamanho final (6m x 2,20m) e contraste (letras brancas sobre fundo vermelho) nela encontramos o conceito do projeto conectado à linguagem das variantes da Arte Pública e Urbana trabalhadas pelo Pparalelo em diferentes centros do Brasil e da América Latina. Cultura interior nos conduz para o estado de latência da arte e da cultura em cidades que não são capitais, mas que, apesar disso, podem ser consideradas como persistentes produtoras e difusoras da arte contemporânea.

Além do painel vermelho central, nas duas laterais desse tapume também foi aplicado outra sentença impressa em papel e instalada diretamente sobre o metal: um statment dos primeiros textos de fundação do Grupo, no qual se lê: “Arte para muitos, aos poucos…” A frase, em preto sobre fundo branco, foi dividida para ocupar toda a extensão dessa área do tapume somando 15 m lineares. Desde que foi pensada e divulgada, esse statement quer chamar a atenção para a dinâmica da recepção da arte de hoje pelos mais distintos públicos que habitam as cidades. Para esse projeto o Pparalelo contou com a participação do artista visual Gabriel Petito e do historiador/designer de mobiliário expositivo Denilson Corsi.

 

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Exposição 1 + 1 = 3 na OC Oswald de Andrade em SP

O projeto expositivo 1+1=3, contemplado pelo Edital do Fundo de Investimentos Culturais de
Campinas/2015 apresenta-se na Oficina Cultural Oswald de Andrade onde ocupa uma das Galerias e o Pátio externo com trabalhos de Sylvia Furegatti, Hebert Gouvea e do Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea. A abertura da Galeria ocorreu no sábado, dia 18 de julho quando foi também lançado o catálogo do Projeto. Em 13 de agosto, o crítico de arte e professor da UERJ, Felipe Scovino, ministra a palestra “Arte: dentro e fora do cubo branco” destacando da exposição, novas relações da arte contemporânea com o espaço.

Sylvia Furegatti apresenta o projeto “Ilha de Plantas” que se localiza dentro e fora da Galeria. Dentro cria uma instalação de parede, além de livros objetos que manipulam documentos, plantas herborizadas, dentre outros materiais. Fora, reconstrói a instalação com plantas vivas, criada originalmente para o lado de dentro do MAC Campinas.
Dentre dicionários de botânica, livros de Charles Darwin e outros, o visitante pode encontrar-se com plantas de agavias, cactos e variações de Sansevieria Trifasciata (espada de São Jorge) que constituem os trabalhos expostos.
Hebert Gouvea apresenta uma série de trabalhos que exploram a camuflagem da figura humana remetendo-se às suas pesquisas entre arte e design firmadas por meio de estampas, grafismos e ilusões ópticas. Os trabalhos variam de dimensões que partem do corpo humano até a escala da arquitetura do espaço expositivo. Ele propõe duas instalações de parede, uma delas construída por espelhos com plotagem adesiva e outra com madeira e papel de parede. Além delas, um pequeno conjunto de peças em metacrilato fecha a proposta.
Uma seleção de projetos recentes do Pparalelo ocupa o lugar da terceira persona. Os projetos eleitos para essa apresentação são: Cómo hacer amigos (Chile, 2013); Empoderamiento (Paraguai, 2012 e Brasil, 2013); Lugar de Contemplação(2010), Bula de Intenções (2009) e Novos Corredores Culturais realizados em vários tempos e localidades.
Além da exposição, o projeto contou também com uma Oficina sobre Intervenções Artísticas permeada por experiências desses artistas em diferentes países da América Latina. A oficina teve três encontros e foi conduzida por Sylvia Furegatti.

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Um olhar mais sensível para o mundo

felipe

As exposições de Sylvia Furegatti, Hebert Gouvea e do Pparalelo possuem em comum o caráter de se constituírem como ações colaborativas, entendendo o processo artístico como um processo de doação entre sujeitos. Quero afirmar que entendo as criações poéticas aqui exibidas como corpos metafóricos, e mais do que isso, como entidades orgânicas que precisam estabelecer redes de troca para se constituírem finalmente como presença no mundo.

Com base nesses modelos tangíveis de sociabilidade, os artistas buscaram reorientar sua prática, sem abdicar da expertise técnica ou da produção de objetos em especial nos casos de Furegatti e Gouvea, em direção a um processo de troca intersubjetiva. Os desenhos sob a “pele” das plantas, em meio a um arquipélago, põem em suspenso o tempo e o espaço do museu pois nos é sugerido o convívio e a descoberta com aquele coletivo orgânico assim como acontece com o aspecto de camuflagem, reflexo e jogo óptico que paira sobre as estampas de diferentes matrizes, criando um diálogo arquitetônico com o espaço e o corpo do espectador.

Em todas as três exposições, o interesse foi diminuir o estranhamento e acentuar práticas colaborativas desafiando a territorialização da identidade convencional com uma compreensão plural e polifônica do sujeito. Ao enfatizarem que o Pparalelo não é um coletivo de artistas mas um corpo mutável que se faz através de ideias e da doação de todos que participam em torno daquele projeto momentâneo, ficamos diante de um dilema importante para as artes visuais na contemporaneidade: os participantes do Pparalelo, fixos ou temporários, acabam por afirmar que o artista não atua como “artista político”, mas como um artista que “faz arte politicamente”. Se pensarmos numa função para a arte, ela reside precisamente na sua habilidade de desestabilizar e criticar as formas convencionais (ou distorcidas) de representação e identidade. Portanto, ficaram evidentes nas ações colaborativas desses artistas que a arte não tem, de fato, qualquer conteúdo positivo, mas é o produto de uma forma intensamente somática de conhecimento: a troca de gesto e de expressão, e as complexas relações que regem a comunicação entre os indivíduos e a maneira pela qual elas são registradas no corpo.

O efeito da prática da proposta colaborativa, tanto espacial quanto processual, assim como o aspecto de organicidade que compõe os trabalhos desses artistas são elementos que refletem sobre um estado que se converte de forma cada vez mais madura sobre o caráter interdisciplinar da arte, isto é, perceber o fenômeno artístico não apenas como um objeto estético mas fundamentalmente como um estímulo que gera um grau de autorreflexão sobre o estado das coisas no mundo. Perceber a delicadeza e a qualidade corpórea das plantas ou dos tecidos e chamar a atenção para a própria troca como práxis criativa e elemento de câmbio social nos permite ao menos ter uma visão menos dura sobre a realidade, torna o nosso olhar mais sensível ao que acontece ao redor. E isso definitivamente não é pouca coisa.

 

Felipe Scovino

Exposição 1 + 1= 3

Exposição 1 + 1 = 3 abre projetos contemplados pelo FICC no MAC Campinas

O projeto 1+1=3 foi contemplado pelo Edital de Exposições Temporárias do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC) para ser apresentado nesse ano de 2015. A proposta apresenta trabalhos recentes da produção artística de Sylvia Furegatti e Hebert Gouvea, bem como do Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea, criado por eles em 2008. Traz em seu título uma informação importante sobre a dinâmica criativa desses artistas que combinam processos individuais e coletivos para a elaboração de trabalhos artísticos.

O espaço expositivo do Museu foi divido em três áreas destinadas a cada uma dessas personas. Sylvia Furegatti é a primeira persona. Apresenta como proposta uma instalação artística construída com plantas vivas, terra, areia, manta vinílica e livros-objetos. A disposição geral dos elementos organiza-se por uma estrutura em rede que remete a um arquipélago em torno do qual o espectador pode passear aproximando-se do conjunto de plantas que forma cada ilha e tem, em média, 3 metros de diâmetro. Em folhas selecionadas dessas plantas de agavias, cactos e variações de Sansevieria Trifasciata (espada de São Jorge) há desenhos de outras espécies de plantas aplicados como tatuagens que multiplicam os jardins de cada ilha. Nas paredes livros-objetos emoldurados em acrílico colorido e cristal apresentam uma pequena coleção de livros antigos transformados.

A segunda persona do projeto é Hebert Gouvea que apresenta uma série de trabalhos que exploram a camuflagem da figura humana remetendo-se às suas pesquisas entre arte e design firmadas por meio de estampas, grafismos e ilusões ópticas. Os trabalhos variam de dimensões que partem do corpo humano até a escala da arquitetura do espaço expositivo. Guardam em comum a sobreposição de padrões gráficos que camuflam ora do corpo do próprio artista, ora o corpo do espectador, dependendo do suporte utilizado. Propõe duas instalações de parede, uma delas construída por espelhos com plotagem adesiva e outra com madeira e papel de parede. Além delas, um pequeno conjunto de peças em metacrilato fecha a proposta.

Uma seleção de projetos recentes do Pparalelo ocupa o lugar da terceira persona. No formato de uma pequena saleta, o visitante será convidado a manipular documentos de registro das intervenções artísticas do Grupo, disponibilizados em vídeo, web site, arquivo fotográfico e demais materiais residuais das ações realizadas. Os projetos eleitos para essa apresentação são: Cómo hacer amigos (Chile, 2013); Empoderamiento (Paraguai, 2012 e Brasil, 2013); Lugar de Contemplação(2010), Bula de Intenções (2009) e Novos Corredores Culturais realizados em vários tempos e localidades.

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Confira versão web do livreto da exposição.

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Serviço:

O que: Exposição 1 + 1 = 3

Quando: De 24 de abril a 24 de maio

Horário: terça à sexta 9h às 17h; sábado 9h às 16h;

domingos e feriados 9h às 13h; segundas fechado

Onde: Museu de Arte Contemporânea de Campinas – MACC

Rua Benjamin Constant, 1636 Rua  Centro – Campinas – SP

Fone: (19) 3236-4716 / (19) 2116-0346
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Intervenção Artística “Cómo Hacer Amigos” em Santiago – Chile

O projeto “Cómo Hacer Amigos” foi criado para ocorrer em paralelo ao III Seminário Internacional de Estudos sobre Arte Pública na América Latina – GEAP, realizado em Santiago, Chile, na semana de 15 a 18 de outubro de 2013.
Composto por 3 distintos formatos, as ações deste projeto foram feitas em espaços urbanos públicos ou privados nos quais frases sobre a amizade evocavam o inicio de relacionamentos pessoais, discutiam a negociação da ocupação do espaço urbano por meio da proposição artística.
“Cómo hacer amigos”; “Cómo mantener amigos” e “Lugar de encuentro para hacer amigos” foram as frases escolhidas pelo Pparalelo construídas com pequenas velas, stickers, carimbo e bandeiras.
Ao longo desta semana, o trajeto selecionado para as ações elege os seguintes locais: hotel no bairro Bellas Artes, Centro de Estudos do Patrimônio da Universidade Adolpho Ibanes, trecho do Parque Forestal em frente ao Museu Nacional de Belas Artes, a livraria Metales Pesados, o ateliê da artista Sofia Donadon, bares, restaurantes, metrô e uma banca de flores que foram interferidos em diferentes horários do dia e da noite. Em trânsito, foi possível estabelecer contato com muitas pessoas que em seus percursos foram atraídas para a condição de diálogo do projeto.
Dentre todos os encontros promovidos, a ação mais simbólica foi a elaboração da frase título do projeto construída com 300 pequenas velas sobre o passeio do Parque Forestal, dentre as 21 e 24 horas do dia 13 de outubro. Pessoas caminhando, domésticas em seu horário de descanso, amigos, namorados de todas as idades, passeadores de cachorros, ciclistas, formaram um público de cerca de 50 pessoas que pararam, conversaram, fotografaram e compartilharam na rede a imagem gerada pela ação com as velas que ocupou 15 metros lineares. Escala, lugar, horário e a abertura para esse diálogo dentre esses muitos sujeitos que ali se conheceram, são pontos que fundamentam o projeto.
Essa condição não significa, contudo que as outras ações foram menos importantes para a questão do dialogo gerador de condições de amizade. A condição de volatilidade da ação com carimbos, stickers e a instalação de bandeiras não permitiram o mesmo mapeamento da relação construída com os interlocutores. Com os stickers e bandeiras, a negociação é o ponto a ser destacado. A troca estabelecida entre nossa permanência na livraria, nos restaurantes, na banca de flores ou em algumas lojas por onde passamos promove o tom da negociação direta entre artistas e pessoas chave em cada um desses lugares. Ali, a cordialidade promovida pela prévia relação de consumo ou pela expectativa dele é contornada pelos artistas que estendem o diálogo para outro espaço de presença e permanência.
Desse modo, o projeto pretende discutir os elementos qualificadores do espaço e do lugar nas cidades atuais incitando a construção de relacionamentos pessoais tratados entre os artistas e os habitantes locais. A mediação promovida pelo texto sobre as condicionantes da amizade nos dias atuais constitue espécie de ponte de passagem para o estatuto da arte.

 

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Polimorfos e Sequentes – Sylvia Furegatti

Polimorfos e Sequentes é o novo trabalho de Sylvia Furegatti composto por objetos, desenhos e instalação artística. Essa exposição individual inaugura o novo espaço Fernandes Naday Arte Contemporânea em Campinas/SP.
A forma e a simbologia da pedra diamante são utilizadas como base e estrutura para a criação dos trabalhos guardam a ideia das múltiplas faces que esse cristal duro pode assumir quando trabalhado pelo homem. A pesquisa teve inicio há alguns anos com o interesse da artista pela história da joalheria renascentista. A lapidação empregada nesse período histórico renova a identidade de elegância e importância daquele grupo social que porta esta pedra. Estabelece um universo de imaginários e valores que são caros destinatários do circuito da criação de objetos especiais, tanto quanto do circuito da arte, até os dias de hoje. Desse modo também, os materiais que vem sendo pesquisados por Sylvia se acomodam na tarefa de ressignificar a discussão sobre a metamorfose daquilo que deixa de ser da ordem da natureza para tornar-se objeto da arte.
Assim, a materialidade das peças apresentadas na exposição, particularmente as tridimensionais, avança o interesse e estudos pelo vidro, já presente em projetos anteriores da artista. No novo espaço expositivo, estudado anteriormente à elaboração das peças, o vidro assume o caráter protetor/expositor de formatos e conteúdos ligados ao cristal diamante. Além do vidro transparente, o espelho e a coloração aplicada fazem parte dos trabalhos criados. As peças de parede apresentam vidro espelhado e serigrafado em preto. Amparadas por uma parede cinza grafite, pequenas caixas de vidro em sequência abrigam peças modeladas no formato do diamante lapidado. São feitas de cera de abelha, material escolhido por sua característica orgânica e qualidade visual translúcida. Em frente um painel de desenhos em nanquim de caráter projetual estudam as configurações possíveis para este diamante. Na sala principal uma torre de 2,00 cm (h) com outra peça de cera de abelha que solicita ao espectador posicionar-se na busca de visualizá-la, por baixo, pela transparência da base de vidro, ou a certa distância.
As formas dos trabalhos exploram a geometria que caracteriza a transformação do cristal duro no Diamante, tal qual nossa sociedade o avalia. Essas geometrias são tão precisas em alguns trabalhos quanto se apresentam imaginárias em outros, de modo que se configuram por inúmeras facetas, polimorfos que refletem a luz, sequências que ordenadas por um único suporte ou multifacetados em distintas partes/suportes, constroem a referência dos perfis do diamante.

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Hebert Gouvea em exposição coletiva na Casa O’Higgins – Lima/Peru

 

A exposição “Centro Selva en Lima: transito y confluencia” tem curadoria de Diana Riesco-lind e María Eugenia Yllia e ocorre no Museu Casa O’Higgins em Lima – Peru. A mostra coletiva apresenta o trabalho de artistas locais somados aos artistas residentes do Centro Selva no ano passado.

Para essa participação continuo a minha pesquisa na série “Trans-Forma: Copi” experimentando um novo suporte com impressões em cetim, tecido leve e com brilho que dialoga com o tecido usado nessa ação performática. Ao todo, são 6 fotografias, das quais 4 pertencem à região de Paracas e as outras 2 realizadas na comunidade de Panaillo com um tecido branco dentro do rio. Diferentemente de Paracas, onde o forte vento foi o elemento fundamental, nas imagens feitas na Amazônia uma nova estratégia é utilizada, o uso de um tecido impermeável permitiu que eu criasse uma bolha de ar dentro do rio, permaneci dentro desta bolha experimentando novamente novas formas que camuflassem meu corpo naquela paisagem.

Outra peça realizada para essa exposição é a instalação de parede “Shipibo Camouflage” na qual me aproprio de um dos desenhos da cultura Shipibo-Conibo replicando e adaptando para uma grande formado, 3,0 x 0,7 m. Junto com este desenho feito em vinil adesivo, existe uma peça de madeira recortada com o perfil do meu corpo em tamanho real pintado na mesma cor da parede com o mesmo desenho Shipibo, assim o corpo fica camuflado dentro do desenho, sendo perceptível apenas por seu volume que se destaca da parede.

Por fim, baseado nas linhas de pedras que definem territórios por toda região sul do pais inicio em Lima uma série de intervenções urbanas chamada “Novos Territórios”. Composta por uma ação de desenhar nas ruas cidade com giz áreas quadradas que definam novos territórios para a arte. São registradas as imagens dos quadrados, as coordenadas GPS e o tamanho dessas áreas, que voltam para o espaço expositivo em forma de documentação juntamente com uma declaração de que aquele espaço me pertence para fins artísticos. Pretendo alcançar o público nas ruas, falar com pessoas que não freqüentam museus para discutir os lugares da arte de hoje. Mesmo não sendo uma obra participativa, fui surpreendido pela colaboração de pessoas que assistiam ao processo do trabalho durante a intervenção.

A participação do público marcou positivamente essa ação. A partir de Lima/Peru, pretendo continuar com o projeto em outras paisagens, como um work-in-progress que me permite tanto revisar quanto ampliar a proposta do trabalho.

 

Ficha técnica


Periodo: 3 de julio a 18 de agosto de 2013

Artistas Participantes: Alex McKenzie (USA), Dulce Villasana (México), Hebert Gouvea (Brasil), Henry Ortiz Tapia (Perú), Joke Raes (Bélgica), Mwamba Mulangala (Zambia), Ofri Lapid (Israel-Alemania), Rosaura De La Cruz Díaz (Perú); Diana Riesco Lind(Perú), Liz Tania Díaz Vela(Perú), Daniel Esteban Cárdenas Ledezma(Perú), Walter Keyvin Tamani Arirama(Perú), Raquel Castillo Zuta(Perú), Richard Pool(Perú), Garcia Paredes(Perú), Gina Arevalo Valles(Perú), Leo Verde Tolentino(Perú), Joel Pacaya Armas(Perú), Miriam Soria Gonzales(Perú), Frank Javier Yirio Soria(Perú).

 

Fotografia: Alex McKenzie e Celi Gouvea

Agradecimentos: Ofri Lapid e Henry Ortiz

 

Casa O’Higgins
https://www.facebook.com/CasaOhiggins

 

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