Bula de intenções n1 - Intervenção inaugural do Pparalelo

Bula de Intenções nº1 Intervenção inaugural do Grupo Pparalelo

Intervenção

O Projeto Bula de Intenções nº1, que inaugura as ações do Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea, tomou forma de uma intervenção urbana realizada no último dia 08 de abril em Campinas/SP.

Três veículos adesivados com o nome do Grupo Pparalelo percorreram as ruas e rodearam praças conhecidas da cidade ao som de alto-falantes que traziam, em três linguas diferentes, o texto abaixo:

Arte Contemporânea;
Arte Contemporânea;
Arte Contemporânea…

Arte de Hoje; Arte de Amanhã. O Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea quer falar com você sobre Arte. Por isso criou o projeto Bula de Intenções nº 1, uma proposta de arte falante, em movimento, efêmera que veio interferir no seu cotidiano.

Arte para quê? A Arte não deve ser só para artistas… Arte para que? para melhorar o seu humor, a sua visão de mundo, a sua qualidade de vida… Arte para muitos, aos poucos…

É certo que a idéia da beleza nos introduz no território da Arte. A beleza é a finalidade da arte. [Mas, afinal]Que é arte, que é beleza, que é finalidade? (Rosario Fusco). O mundo de hoje tem muitas novas formas de expressar a Beleza.

Idéias sozinhas podem ser obras de arte (Sol Lewitt) O artista não é[mais] necessariamente obrigado a realizar [uma] obra. Mas a Arte não é só idéia. É sempre uma realidade, precisa existir no mundo.(P. Kowalski) [É preciso] vestir a idéia de uma forma sensível (Jean Moreas). Por isso, escute um pouco mais Arte.

Hoje, aqui, nesta forma de Arte Pública, trazemos uma Arte que é som, que não dura para sempre, vai direto para sua cabeça e não para os olhos. Não se pode visualizá-la, nem comprá-la. Cuidado! Quando reduzimos a obra de arte ao seu valor mercantil [anunciamos] a morte da arte. (Pierre Restany). Cuidado! Isso não impede que alguns ainda tenham a Arte na forma de objetos. Isso significa que, talvez estejamos vivenciando não o fim das galerias ou dos museus de arte, mas o fim da arte feita no ateliê. (Jan Dibbets)

O artista (…) deve aprender a escapar de sua profissão. (…) as riquezas e a variedade dos estados de consciência nas artes hoje são tão grandes que é difícil deixar de admitir que (…) um módulo lunar é evidentemente superior a todos os esforços contemporâneos em termos de escultura; (…) Cuidado! A Arte é muito fácil de ser feita hoje em dia. (Allan Kaprow)

Queremos produzir um tipo de Arte que faça outra coisa além de sentar seu traseiro num museu (C. Oldenburg). Uma Arte que possa combinar paisagem e arquitetura, que se estabeleça num campo ampliado (Rosalind Krauss), que te alcance no seu caminho para o trabalho ou para a escola, que não fique te esperando dentro de um cubo branco, mas que te leve, um dia, até ele para que você deseje voltar mais vezes e sempre…

Em geral, somos favoráveis à gentileza e não à inimizade, muito embora precisemos citá-la para falar da necessidade da gentileza no mundo da Arte. A Arte Contemporânea é especialista em criar inimigos da Arte Contemporânea. (Agnaldo Farias)Isso cansa o artista e o público da arte.

Somos favoráveis à Arte que se desdobra como um mapa, que se pode abraçar como um namorado (…) Arte que diz as horas, ou onde fica essa ou aquela rua (…) que se expande e estridula, como um acordeom, que você pode sujar de comida, como uma toalha de mesa velha. (C. Oldenburg) Mas, para que tudo isso faça sentido, é preciso que você a ative, senão os objetos serão sempre meros objetos e nunca Arte. A Arte vem de uma espécie de condição experimental na qual alguém faz experiências com o viver. (John Cage)

Essa Arte Contemporânea te pede para observá-la, para cultivá-la, para estudá-la… Com a presença do espectador se faz Arte Contemporânea e não sem ele. A Arte deve, literalmente, descer à rua, sair do zôo cultural estreito [e se recolocar no corpo social]. (Jean-Jacques Lebel)

Arte Contemporânea,
Arte de hoje,
Arte de Amanhã.

Trajeto Percorrido:
11h30 – Centro de Convivência Cultural de Campinas
12h30 – Rua José Paulino / Esamc e adjacências;
13h30 – Sesi Amoreiras (parada para uma conversa com os alunos);
14h30 – Praça do Castelo;
15h00 a 15h30- Avenida Brasil / Av. Francisco Glicério e Av. Dr. Moraes Salles;
16h00 – Av. Norte Sul (sentido Cambuí);
16h30 – Rua Antonio Lapa / Cambuí.



Ficha técnica
Criação e produção – Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea
Texto e locução em português – Sylvia Furegatti
Versão e locução para o espanhol – Eduardo Bilbao e Hector Hugo Garcia Fontes
Versão e locução para o inglês- Betty Menzel
Edição de áudio – Charles Eduardo Signoretto
Identidade visual – Hebert Gouvea
Filmagem – Denilson Corsi
Fotografia – Dorothea Freire e Cecilia Stelini
Web design – Daniel Reigada
Parceiros do projeto em Campinas – Sesi Amoreiras 403 e Esamc Campinas.
Agradecimentos – Patrícia, Josiane e Rosana (SESI) e Constâncio (Ponto Alto Som)