pparalelo-comohaceramigos-adesivo-10

Intervenção Artística “Cómo Hacer Amigos” em Santiago – Chile

Intervenção + Seminário

O projeto “Cómo Hacer Amigos” foi criado para ocorrer em paralelo ao III Seminário Internacional de Estudos sobre Arte Pública na América Latina – GEAP, realizado em Santiago, Chile, na semana de 15 a 18 de outubro de 2013.
Composto por 3 distintos formatos, as ações deste projeto foram feitas em espaços urbanos públicos ou privados nos quais frases sobre a amizade evocavam o inicio de relacionamentos pessoais, discutiam a negociação da ocupação do espaço urbano por meio da proposição artística.
“Cómo hacer amigos”; “Cómo mantener amigos” e “Lugar de encuentro para hacer amigos” foram as frases escolhidas pelo Pparalelo construídas com pequenas velas, stickers, carimbo e bandeiras.
Ao longo desta semana, o trajeto selecionado para as ações elege os seguintes locais: hotel no bairro Bellas Artes, Centro de Estudos do Patrimônio da Universidade Adolpho Ibanes, trecho do Parque Forestal em frente ao Museu Nacional de Belas Artes, a livraria Metales Pesados, o ateliê da artista Sofia Donadon, bares, restaurantes, metrô e uma banca de flores que foram interferidos em diferentes horários do dia e da noite. Em trânsito, foi possível estabelecer contato com muitas pessoas que em seus percursos foram atraídas para a condição de diálogo do projeto.
Dentre todos os encontros promovidos, a ação mais simbólica foi a elaboração da frase título do projeto construída com 300 pequenas velas sobre o passeio do Parque Forestal, dentre as 21 e 24 horas do dia 13 de outubro. Pessoas caminhando, domésticas em seu horário de descanso, amigos, namorados de todas as idades, passeadores de cachorros, ciclistas, formaram um público de cerca de 50 pessoas que pararam, conversaram, fotografaram e compartilharam na rede a imagem gerada pela ação com as velas que ocupou 15 metros lineares. Escala, lugar, horário e a abertura para esse diálogo dentre esses muitos sujeitos que ali se conheceram, são pontos que fundamentam o projeto.
Essa condição não significa, contudo que as outras ações foram menos importantes para a questão do dialogo gerador de condições de amizade. A condição de volatilidade da ação com carimbos, stickers e a instalação de bandeiras não permitiram o mesmo mapeamento da relação construída com os interlocutores. Com os stickers e bandeiras, a negociação é o ponto a ser destacado. A troca estabelecida entre nossa permanência na livraria, nos restaurantes, na banca de flores ou em algumas lojas por onde passamos promove o tom da negociação direta entre artistas e pessoas chave em cada um desses lugares. Ali, a cordialidade promovida pela prévia relação de consumo ou pela expectativa dele é contornada pelos artistas que estendem o diálogo para outro espaço de presença e permanência.
Desse modo, o projeto pretende discutir os elementos qualificadores do espaço e do lugar nas cidades atuais incitando a construção de relacionamentos pessoais tratados entre os artistas e os habitantes locais. A mediação promovida pelo texto sobre as condicionantes da amizade nos dias atuais constitue espécie de ponte de passagem para o estatuto da arte.